Declaraçőes de Vladímir Pútin à imprensa no final do encontro com o Presidente de Portugal Jorge Sampaio, Lisboa, 23 de Novembro de 2004

Antes de mais, gostaria de agradecer este convite ao Senhor Presidente. Trata-se, efectivamente, de uma visita de resposta, mas ditada também, pode dizer-se, pela «necessidade prática», uma vez que as relaçőes entre os nossos países estăo a desenvolver-se, e com muito ęxito, tendo atingido um bom nível. É evidente que teremos conversaçőes mais pormenorizadas com o Senhor Primeiro-Ministro, mas também já abordámos este tema com o Senhor Presidente, como é óbvio.

É compreensível para nós a preocupaçăo dos nossos amigos portugueses face a um certo desequilíbrio que se verifica no comércio; porém, para nós, é hoje mais premente um outro desígnio e um outro problema: ampliar a interacçăo económica e aumentar a circulaçăo de mercadorias. As relaçőes entre muitos dos nossos departamentos estăo a desenvolver-se bastante bem. É o caso do nosso Ministério das Situaçőes de Emergęncia com os Serviços de Protecçăo Civil portugueses, o Ministério do Interior, o Ministério da Defesa.

Chegámos a acordo quanto ŕ necessidade de intensificar a actividade da Comissăo Intergovernamental para o desenvolvimento das relaçőes económicas e comerciais. E, nos cenários do trabalho desta estrutura, tencionamos procurar recursos complementares para ampliar as nossas relaçőes económico-comerciais.

Tivemos, o Senhor Presidente e eu, uma conversa muito pormenorizada sobre as relaçőes entre a Rússia e a Uniăo Europeia, entre a Rússia e a NATO. Agradeço muito ao meu colega a sua análise do desenvolvimento das relaçőes entre a Rússia e a Europa unida, de especial relevância para mim devido ŕ próxima cimeira Rússia - Uniăo Europeia em Haia. Assinalámos com satisfaçăo a crescente interacçăo entre a Rússia e a Organizaçăo do Tratado do Atlântico Norte. Informei o Senhor Presidente sobre as últimas medidas conjuntas, sobre os exercícios militares realizados e sobre o início do trabalho conjunto dos nossos marinheiros militares no Mediterrâneo. Devo dizer que falámos pormenorizadamente da situaçăo no Iraque e no Médio Oriente, e tenho o prazer de realçar que as posiçőes da Rússia e de Portugal praticamente coincidem no que respeita a estes problemas.

Gostaria de agradecer ao Senhor Presidente pelo ambiente muito amigável em que decorreu a nossa conversa, pela atitude de grande cordialidade e compreensăo na abordagem de todas as questőes discutidas. E, como acabei de dizer ao Senhor Presidente durante a nossa conversa, resta-nos apenas lamentar que tenhamos visitado Portugal tăo poucas vezes: é esta a primeira desde 1779.